Cuca

Rui Manuel 

Quem Eu Sou ?

O Poeta, Rui Manuel (Cuca), tem a singularidade de ser um africano que compõe para o Fado... Longe de dilacerado por esta aparente ambiguidade, soube beber o melhor de dois mundo e converter isso numa vivência única, onde os valores e raízes que o formaram em África lhe permitem uma descodificação única do viver lisboeta, até do ser lisboeta.

Isto deu origem a um corpo de trabalho que acaba por ser uma combinação de sentimentos poéticos, onde cada trabalho tem a força e a simplicidade que são factores chave da sua personalidade.

O seu trabalho como poeta está difundido na música Africana, sendo cantado por Dany Daniel Rocha Silva (Dany Silva), Nelo Carvalho e vários outros.
Entre estes temas está um célebre hino a África ('Mamã África'), celebremente interpretado por Dany Silva.

No Fado, a sua poesia está na voz de vários intérpretes, como Chico Madureira, Maria da Nazaré, Lenita Gentil e Claudia Cláudia Madur, Cláudia Leal, Natalino de Jesus, Ricardo Ribeiro e outros, merecendo destaque os temas mais cantados como 'Morreu um Poeta', 'Quem me dera ser o Fado', 'A Lua e o Corpo', ou 'Quando em Lisboa', entre outras.

Alguns destes temas fazem parte dos seu livros, com o título," Entre duas Margens" e "Um Velho Na Praia".

A esse propósito, participou em outras obras ; na "Coletânea de Poesias de Amor Vol. III", da Editora Vieira da Silva e da "Antologia de Poetas, Vol. VI" da Chiado Editora,  dos "Autores e Escritores de Angola", Vol I (1624 a 2015) e Vol II (1642 a 2108).  "Crónicas de Bem Viver" e "Chocolate com Poesia- Uma História de Paixões", da Editora Perfil Criativo.

É ainda autor dos poemas que acompanham o chocolate e o vinho da  da marca "Nigredo, Chocolates com poesia". 



 



A VISITA DAS PALAVRAS

Pego na caneta, acaricio o papel e fico à espera da visita das palavras. Nunca sei quando chegam nem de onde vêm mas, em cada reencontro, há sempre algo por descobrir, na sua imensidão de caminhos e sabores.

É toda uma partilha de desencontradas emoções que se derramam no papel, no respeito mútuo de sabermos distinguir o "possuir" do "apossar".

Por vezes espero em vão, e sei que será inútil ir à procura delas porque me ficarão sempre arredias. 

Caprichosas, virão apenas quando lhes apeteça, ora tristes e sofridas, ora sorridentes e provocantes, quase sempre imprevisíveis.

Continuo sem saber se sou eu que me sirvo delas ou serão elas que se servem de mim e, vezes sem conta, surpreendo-me ao reler o que escrevi. 

Com frequência, acabo por rasgar o papel, aguardando nova conversa.

Por tudo isso, não me canso de ficar, por dentro do silêncio, à espera da visita das
palavras...

RUI MANUEL 



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